
Olá, meu nome é Fabio Yamaoka, também conhecido por alguns na cena de drum’n’bass brazuca como Fabão, desde aqueles tempos bons do oldschool.
Agora estou morando e trabalhando como “dekassegui”(http://pt.wikipedia.org/wiki/Dekassegui) aqui no Japão e vou aproveita para falar um pouco sobre o que rola na cena underground do Japão, assim como um pouco da cultura local e curiosidades sobre essa terra “mística”.
Vim para o Japão principalmente para tentar um lugar ao sol em uma cena onde as coisas pareciam funcionar melhor… e realmente funcionam, mas o Drum n Bass é muito complicado para a maioria dos ouvidos nipônicos
Toda vez que falamos da cena eletrônica japonesa, imaginamos um povo moderno, altamente informado ouvindo coisas abstratas com influencias de jazz e bossa nova, mas na realidade isso é bem diferente.
Esta semana fui “bookado” para minha primeira ‘gig’ como DJ de House (dnb aqui e coisa de outro planeta) em Shizuoka, uma província com cidades importantes como “Hamamatsu” por exemplo, aos pés do Fuji San, onde existe uma pequena cena dance, um tanto quanto variada.
Muita gente vai perguntar: por que não Tokyo? e Osaka? Nagoya?
Esses lugares foram tomados de assalto pelo psytrance e pelo rap comercial, lugares que sempre são lembrados em todas as reportagens sobre musica eletrônica.
Hoje eu vou falar sobre os verdadeiros operários da cena, pessoas q tocam única exclusivamente pela música, tocam para pistas mutáveis e fazem o verdadeiro underground (pero no mucho) Japonês.
A primeira coisa que chama a atenção é a interatividade entre os núcleos, todos abrem espaços, todos tocam em todas festas, a maioria das vezes mensais, e muitas vezes com cinco ou seis djs tocando numa só noite. Aqui o horário máximo para o fechamento de uma noite é às 3 horas da manha, sem choro, passou disso, pode haver problemas.
Neste dia 11 fui encaixado de ultima hora em um line up lotado de djs da região, era uma noite principalmente de house e dance music (flash back), mas com espaço para uma ou outra variação dentro do set.
Tudo dentro de uma certa normalidade, sets de dance classic com muito boa música, nada muito manjado, boas mixagens tocadas pelo dono da noite, um senhor chamado Ohta, que mesmo sendo amador, tem muito bom gosto para musica e se destaca da molecada que dividiu os toca discos desta noite.

Na seqüência tivemos NUvVo , Saah, Strada, Musseo,Yassii, Hide, Nokick e quem mais impressionou na noite , uma Japinha (duhh!!) chamada Aki.
Com esse povo todo rolou b2b, sets variados dentro da House music, variando do deep house até o eletro e até faixas do Bon Jovi(?) e Michael Jackson no mesmo set, abusando dos efeitos do mixer e com direito a um MC.
Confesso que achei a idéia do MC boa, porem a forma que foi executada em particular, não me agradou.
Mas e a tal Japinha? Fan confessa de musica eletrônica Brasileira, principalmente de drum’n’bass, ela foi quem mais ousou, mesclando tudo que conhecemos de Nu jazz, broken beats e house music de qualidade, sem bancar a alienígena e sem fazer qualquer tipo de média. Foi lá, tocou, mostrou personalidade e me deixou literalmente de queixo caído, sem dúvida nenhuma, a melhor da noite!
Já eu fiz um set fragmentado, se vocês chamarem isso de set, pois toquei aos poucos no meio dos sets dos japas, acabei variando bastante e acho que consegui fazer um bom papel mantendo os gatos pingados da pista (porem muito animados e preocupados apenas em curtir a noite) tocando desde coisas mais hards até arriscando algumas velharias como o 808 State - Pacific que quase matou uns japas do coração.
No final da noite, conversei com a nossa super Djeia e ela ficou de nos mandar um set…
vale a pena pela curiosidade!
No próximo post eu vou começar a entrar mais a fundo na cena musical japonesa, e derrubar alguns mitos sobre a terra do sol nascente.
Um beijo na alma!